Signo
Um dia depois de melancolias mil, de choros internos, de febres serenas de.. [ .......... ]
..de.. esquecimentos!
Ele parou, simplesmente desistiu. Morria pouco a pouco, todos os dias. Mais que os outros.
Sonhava demais, algo relacionado ao signo, isso, ele leu em algum lugar...
Ninguém era como ele.
Sua inteligência era burra, isso é o que era interessante... Sua "inteligência burra", sua falta de interesse nas coisas que ''deveriam interessar''.
Os seus olhos brilhavam, as lágrimas lhe viam com tal facilidade que as vezes lhe chegavam a assustar...
..era por causa de uma canção, pelo por do sol, pelo abraço de um amigo.. por causa dos seus planos mal planejados.
Ele sofria quando via mais um dia acabar, ele temia o dia seguinte.
Escreveu canções, deixou a barba e os cabelos crescerem, e raspou tudo. Era uma forma de livrar-se de si mesmo, era uma forma de tentar não se reconhecer..
Ele sorria e fazia os outros rirem. Isto, algo que era inerente a ele, ele só era assim. As vezes não pensava direito no que diria, só falava.. muitas vezes surtia um efeito inesperado, inspirava-se em algo solto, quase sempre em nada.
Pensava as vezes em filhos que poderia ter, nos amores, num futuro. Acho que nunca quis realmente "construir'' um futuro, creio que os teus sonhos eram na realidade, interrogações ou meras reticencias!! ..
Ele era uni, nunca soube viver. Errou tanto, sabendo.. E acertou muito também, sem saber.
Ele só foi!
Era 'gigante', tinha o signo mais plural de todos, o mais singular. Ele era o signo.
Quis adormecer a sua alma. Adoecer. Quis.. Quis!
Deitou-se na cama, deixando o vidro de sonífero vazio sobre o criado mudo, ao lado de um copo de vidro no qual diluiu uma quantidade de raticida. Havia um jarrinho com flores, flores de plástico brancas. Olhou as fotografias na parede, alguns recortes de revistas, lugares que nunca fora, haviam também fotos dos seus amigos, dos seus seus..
Não sei dizer exatamente qual a idade dele, sei que era jovem, devia ter mais ou menos a mesma idade que eu, poderia ser eu..
As flores sumiam, pouco a pouco.. E o frio...
Lembrou do mar, dos finais de tarde solitárias em que observava o sol se escondendo atrás do oceano. E mergulhou.

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