A sua inconstância é o que incomoda. Conseguia sorrir, beber, beijar, e chorar. Tudo quase que ao mesmo tempo.. ..pensar em absolutamente nada e em tudo. Tudo. Das contas, aos amores, dos desafetos -na verdade estes não existiam-, as dores dos seus. Pensava no deserto, na casa do campo... Pensava em si. Escrevia milhares de textos, imerso na sua solidão. Rabiscou poemas e rasgou. Falou sobre demônios e perfumes, falou sobre a cegueira e sobre o cansaço, depois rasgou tudo. Num misto de ira, desespero e respirou, respirou profundamente. A sua inconstância, era "tudo" e tudo isso era você, um você perdido.
Senti pena..
Quase se entregou ao mar. Os teus óculos coloridos davam-lhe um ar, como posso dizer?! De mais um perdido. O que ele queria dizer? O que ele queria ser?! Eu o observava, mais e mais, e não compreendia, ele é quase uma moldura sem foto, ele é um quadro vazio. Me encanta, me assusta! Se eu o olhar de longe chego a desejá-lo. Olho os teus olhos, de longe brilham, brilham. Paro, reparo os teus lábios... Ouso me aproximar, e noto que o brilho nos olhos são na realidade, lágrimas que tenta conter. E as coisas que ele diz, quando diz. Da onde é que vem?! Eu acredito!
Quem é ele?! Penso em abraçá-lo. Sei que ele precisa e eu preciso muito também! Só que quanto mais eu me aproximo, mais ele se afasta! Às vezes sinto medo, medo da sua inconstância do seu jeito sorridente, da morte que sorrateiramente dança a sua volta, e a vida. Tenho medo da sua solidão, das tuas palavras. Tenho medo da sua serenidade!!
Eu o amo, quase odeio.. Mais ainda quero abraçá-lo, eu quero. Eu sei que ele precisa!