terça-feira, novembro 01, 2011


Sobre flores...

Gérberas são as suas flores prediletas, elas fazem lembrar sua infância, sua casa, sua vida...
Sua avó a quem chamava de mãe, também adorava essas flores, ela costumava dizer, que eram as flores que traziam as cores mais vivas e que elas alegravam verdadeiramente a sua casa. –Adoro essas flores- dizia ela.
Quando sua avó faleceu estava com 17 anos, cuidou de tudo, com o maior capricho, sem derramar uma lágrima. Arrumou-a com o vestido verde, bem clarinho, penteou-lhe os cabelos, arrumou as flores ao seu redor, gérberas é claro, amarelas e vermelhas... Não passou perfume. Foi até o quarto, pegou na terceira gaveta de cima para baixo da penteadeira, um terço de madeira antiiigo, que ela ganhara da mãe no dia de sua primeira comunhão, aos onze anos de idade, e entrelaçou-o entre os dedos dela, beijando-lhe em seguida as mãos, que traziam as marcas do tempo.
Quando terminou, parou enfrente ao caixão deu um suspiro profundo, só então caiu em si, sentiu o frio mais gelado que poderia ter sentido, arrepiou-se.
Sentiu os pingos do pranto silencioso, molharem a sua camisa de listras, pretas e brancas. 

Hoje ao lembrar-se daquele momento, é como se tivesse voltado no tempo...
...aquela dor. Aquela dor!

Seus filhos também adoram flores, apesar da pouca idade, ambos, a Clariza e o Ariel ajudam no que podem, são crianças atenciosas, sensíveis, talvez seja o ambiente ou o amor, talvez os dois, creio eu, fazem com que sejam crianças serenas.

As vezes ao fechar os olhos, Lourenço quase sente o abraço, o cheiro de D. Ersília.. Viúvo desde o parto complicado que, pois fim a vida de sua companheira Agnes, e trouxe ao mundo, a pequena Valentina, hoje com dois anos e meio de vida, ele segue sempre com um sorriso no rosto. -Meu pranto é meu- é o que ele diz. 
Mas, mesmo assim, julga-se feliz.

Em sua floricultura, os lírios, as rosas, as flores do campo, os antúrios, os copos de leite, as hortências, os crisantemos, as orquídeas, todas as flores tem a sua atenção, mas, as gérberas...  


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