Era
Um dia ele acorda e tudo o que era ele, já era.
Sente que não faz mais parte daquele mundo, prefere manter-se mudo
imóvel, estático.
Fecha os olhos tentando conter as lágrimas que teimam em rolar por sua
face, é ele e ele, mesmo assim tenta com todas as forças manter o disfarce.
Essa força, definitivamente não lhe cabe, creio que.. Nunca lhe coube.
O som mudo.
Flores, mortas.
Teto, céu.
Sim.. Só.
A oração, que aprendeu com sua mãe quando criança é a única coisa que o
alimenta. É o que sustenta a sua alma.
Essa dor, esse arrependimento.
Esse não, que ecoa na sua cabeça. Parece uma sirene, microfonia,
grito.
Se era amor, por que dizer não??
Se era amizade, por que dizer não?
Se era de verdade, porque dizer não?!
Será que foi só covardia, medo?!!
Só isso?!
Um dia ele acorda e tudo o que ele era ou poderia ser, já era.
Todo o pouco que ele havia construído, ruiu.
Fecha os olhos tentando conter as lágrimas que teimam em rolar por sua
face. Mesmo assim elas rolam.
Tenta dormir, na esperança de esquecer. Mas, e os sonhos vivos?
Pensa em tentar, em ligar. Pensa em querer, pensa em pensar.. Só pensa..
Olha pra trás na esperança de tocar no seu passado como de fosse algo
palpável, além das fotografias. Suas pausas no tempo. Só que, nada..
Colhe então a solidão que plantou..

Nenhum comentário:
Postar um comentário